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US$ 18,5 bilhões: o custo para tentar salvar a VW

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Já circula no mundo automotivo uma previsão sobre quanto custará a tentativa de salvar o Grupo Volkswagen, na maior reestruturação de sua história: US$ 18,5 bilhões ou R$ 94,7 bi. A grande parte disso destina-se à redução de empregos. Além de todos os problemas, o Dieselgate -10 anos depois- cobra seu preço.

por Ricardo Caruso

A estrondosa crise que o Grupo Volkswagen atravessa já lhe custou a Bugatti, muito provavelmente vai custar a SEAT e pode até chegar à Ducati. A Porsche concluiu em 9 de setembro último a venda de toda a sua participação na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac para um consórcio de investidores, encerrando a história da marca dentro do Grupo Volkswagen.

Também o Grupo VW estuda encerrar as atividades da marca espanhola Seat até o final de 2029 e focalizar na submarca esportiva Cupra; os chineses tem grande interesse e acompanham de perto como essa história vai desenrolar. Quanto à Bugati, a tradicional marca italiana de motocicletas tem valor estimado em US$ 1,45 bilhão (cerca de R$ 7,38 bi) e pode ser vendida para aliviar as contas do Grupo.

Até agora, ainda não se conhecia o impacto financeiro da reestruturação. Segundo a imprensa internacional, o custo total do “Future Plan 2030” deverá aproximar-se dos US$ 18,5 bi, além de se traduzir em menos marcas, menos modelos, menos versõees, menos capacidade produtiva, menos fábricas e, claro, menos trabalhadores.

A maior fatia dessa verba, cerca de US$ 11,6 bilhões, está destinado à redução de empregos. Bom lembrar que o Grupo desejava o corte de aproximadamente 50 mil postos de trabalho em nível global, o que inclui o Brasil, e aprovou recentemente mais 50 mil demissões. Este número deve ser acompanhado com atenção. O Grupo VW já havia acordado vários programas de redução de empregos, e os diferentes números divulgados ao longo do processo correspondem a fases e medidas novas da reestruturação.

O objetivo de tudo isso é tentar salvar a empresa, reduzindo custos fixos e adaptando o tamanho da empresa à realidade do mercado; além disso, a Volkswagen procura recuperar margem de lucro e competitividade.

Os restantes US$ 7 bilhões estarão relacionados com o futuro de quatro fábricas na Alemanha: Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm. O Grupo apresentou o novo plano no início deste mês, mas ainda não definiu o futuro destas instalações, e está analisando diferentes alternativas, em especial o fechamento destas unidades.

Se a produção nestas fábricas for efetivamente encerrada, estima-se que os custos associados a essa decisão poderão atingir cerca de US$ 1,2 bi nos casos de Emden (carros elétricos) e Zwickau (carros elétricos), e aproximadamente US$ 2,3 bi no caso de Hanover (veículos comerciais leves, vans e furgões, elétricos ou a combustão) e Neckarsulm (modelos Audi elétricos ou a combustão). A questão é particularmente relevante, já que estas fábricas representam parte importante da capacidade industrial da Volkswagen na Alemanha.

Um das maiores dificuldades do Grupo Volkswagen está relacionada com o excesso de ociosidade de produção. Atualmente, o Grupo dispõe de capacidade para produzir mais 500 mil automóveis por ano além do que vende.

A reestruturação vai bem além das fábricas alemãs. Até junho do próximo ano, a empresa deverá apresentar um novo conceito para a sua estrutura de produção na Europa. O objetivo é simplificar a organização, reduzir custos administrativos e centrar recursos nos produtos e tecnologias considerados estratégicos para os próximos anos. São os chineses ensinando os europeus a fabricarem carros.

Ao mesmo tempo, o Grupo mantém a aposta no lançamento de novos modelos elétricos, em especial por meio das linhas de veículos urbanos elétricos das marcas Volkswagen, Skoda e CUPRA.

Leia mais sobre a crise da Volkswagen: https://www.autoetecnica.com.br/a-situacao-da-volkswagen-e-mais-do-que-critica-explicamos-porque/


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