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Desencarnado em 2011, o Bristol Fighter V10 volta do mundo dos mortos

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AUTO&TÉCNICA revisita um supercarro com motor Viper V10. O britânico Bristol Fighter (2004 a 2011) teve seus sonhos com motor V10 frustrados, mas agora terá os últimos cinco exemplares produzidos.

Não é todo dia que o mundo automotivo ganha um novo cupê esportivo equipado com motor V10. E esses dias são ainda muito mais raros quando esse V10 vem de um Dodge Viper. Mas há algo novo por aí, e ele vem de uma montadora britãnica com uma rica história na fabricação de carros esportivos no passado.

por Ricardo Caruso

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Mesmo entre os entusiastas mais fervorosos de automóveis, a empresa britânica Bristol Cars não é uma marca muito conhecida, apesar de ter sido criada em 1945 e lançado seu primeiro carro em 1946, o Bristol 400. O auge da montadora foi nas décadas de 1950 e 1960, quando se especializou em modelos de luxo, incluindo diversos veículos com foco também em desempenho. A marca está agora retornando das trevas com cinco exemplares do cupê Fighter, equipados com portas “asa de gaivota” e o inesquecível motor V10 de Dodge Viper.

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Na verdade, este mais recente Bristol Fighter não é um veículo totalmente novo. A empresa construiu um pequeno número de unidades entre 2004 e 2011, antes de encerrar suas atividades. O exemplar mais recente foi montado a partir de um chassi ainda original e não utilizado daquela produção anterior. A montadora pretende construir apenas mais quatro unidades, utilizando outros chassis remanescentes.

Com isso, a Bristol Cars está de volta. A marca britânica, que entrou em falência em 2011, tem agora um novo proprietário, Paul King, que pretende recuperar o pequeno fabricante e resolveu começar finalizando aquilo que ficou para trás. 

Não se sabe exatamente quantos Bristol Fighter foram fabricados, mas pesquisas indicam que 20 chassis foram produzidos. Destes, 18 chassis eram da Série 1 e foram contabilizados, e existe um chassi da Série 2. Na época do colapso da Bristol Cars, três chassis ainda estavam em vários estágios de conclusão, sendo dois chassis da Série 1 e o único chassis da Série 2. Isso indicaria, embora não confirmado, que até 22 carros foram produzidos ou quase, incluindo o carro de pré-produção.  Acredita-se que o chassi da Série 2 estaria destinado ao Fighter T, que não existiu. Assim, os cinco dos chassis existentes estão programados para serem concluídos em uma série que acabou de ser anunciada.

O carro utilizava um motor 8.0V10 (7.996 cm3 exatos) montado na posição dianteira central, uma versão modificada do motor aplicado no Dodge Viper e da picape Dodge Ram SRT-10 (originalmente baseado no motor Chrysler LA 5.9V8, com dois cilindros a mais), mas modificado pela Bristol para produzir 525 cv de potência máxima a 5.600 rpm e 71 mkgf de torque a 4.200 rpm. Isso está alinhado coma velha parceria da Bristol com a Chrysler, que começou em 1961. No versão Fighter S, mais potente, o motor era ajustado para produzir 660 cv em alta velocidade, usando o efeito de ar forçado, conhecido como Ram Air System). O peso do carro era de 1.600 kg (3.527 lb);

O Fighter possuia transmissão manual de seis velocidades ou automática de quatro marchas, e tração traseira. Acelerava de zero a 100 km/h em 4,0 segundos (segundo a fabricante) e tinha  velocidade máxima declarada é de 340 km /h (de novo segindo o fabricante). O exemplar recém construído optou pela configuração manual, mais envolvente.

Hoje, o enorme capô se abre para revelar o motor 8.0V10 do Viper. A Bristol oferece o carro com a potência padrão de 525 cv ou uma versão aprimorada com 600 cv. A marca afirma que o carro hoje pode atingir até 338 km/h e acelerar de zero a 100 km/h nos mesmos quatro segundos.

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O Fighter é um cupê de dois lugares com a silhueta clássica de capô longo e traseira curta, característica de muitos carros esportivos de outros tempos. As portas “asa de gaivota” adicionam um toque sofisticado ao desenho. Além disso, a traseira truncada apresenta um formato complexo, com um vidro grande e curvado, e uma janela menor separada. A estética geral hoje é uma aplicação intrigante de desenho retrô-moderno, pois estamos falando de um carro novo em 2026 com um estilo originalmente dos anos 2000 que evoca o formato dos veículos da marca do final da década de 1950.

A carroceria cupê utiliza em sua construção uma mistura de compósito de carbono e alumínio para reduzir o peso. Foi projetada pelo ex-engenheiro da finada equipe Brabham de Fórmula Um, Max Boxstrom, e dá ao carro um Cdx de apenas 0,28. 

Embora a Bristol não especifique o peso do carro recém-construído, os originais pesavam cerca de 1.600 kg. Como o modelo mais recente é uma continuação do projeto anterior, provavelmente tem massa semelhante.

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O interior é simples para os padrões modernos, algo quase purista, mas sedutor e nostálgico. O motorista dispõe de um belo volante de três raios, com diversos mostradores analógicos por trás dele. O console inclui mais de uma dezena de interruptores. Este primeiro exemplar apresenta um impecável e extenso revestimento em couro bege (a tal cor cognac…) com padrinagem de costura em losangos.

A Bristol sempre se caracterizou por fazer as coisas de forma diferente e sair do lugar comum. Nunca foi uma fabricante de carros de volume. Construiu modelos carros excepcionais, sempre em pequena escala, para pessoas que apreciavam sua individualidade, engenharia e personalidade.

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Em 2006, a Bristol anunciou o Fighter T como uma versão projetada com motor 8.0V10 biturbo , supostamente capaz de gerar 1.012 cv de potência e 140 mkgf de torque. No entanto, este carro nunca chegou à produção. Além disso, a Bristol fez uma tentativa de retorno em 2016, quando apresentou o roadster Bullet . O veículo utilizaria um motor 4.8V8 aspirado, fabricado pela BMW. Assim como o Fighter T, ele também nunca entrou em produção.

O Fighter mostrado aqui, renascido e repaginado, foi exibido faz poucos dias no Salon Privé, no Palácio de Blenheim, na Inglaterra. A empresa pretende fabricar os carros restantes no Reino Unido mesmo, com o que chama de “um parceiro de prestígio”. Os preços só estão disponíveis mediante solicitação, mas a versão original de 2004 custava a partir de US$ 250 mil

A Bristol está construindo os quatro carros restantes, que podem cointar com volante à esquerda ou à direita, dependendo da preferência do comprador. Eles estarão disponíveis nos Estados Unidos, e podem ser registrados como modelos de exibição ou demonstração.


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