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TESTE: Jeep Renegade Sahara MHEV 2027

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O Jeep Renegade chegou a uma fase particularmente interessante de sua já longa jornada no mercado brasileiro. Depois de mais de uma década de presença no País (foi apresentado mundialmente em 2014 e começou a ser fabricado aqui em março de 2015), o SUV que ajudou a consolidar a marca Jeep como uma das principais forças do segmento compacto, recebeu uma nova atualização para a linha 2027. Desta vez, porém, a mudança mais importante não está na carroceria. Está debaixo do capô.

por Ricardo Caruso

A grande novidade é a adoção do sistema híbrido leve MHEV de 48 volts, associado ao conhecido motor 1.3 T270 Turbo Flex. A solução não transforma o Renegade em um híbrido convencional —ele não consegue rodar exclusivamente utilizando eletricidade—, mas acrescenta um motor-gerador elétrico capaz de auxiliar o propulsor térmico em determinadas situações.

Na versão Sahara, objeto deste teste, o resultado é um automóvel que mantém boa parte das características que fizeram a reputação do Renegade —robustez, estabilidade, posição de dirigir elevada e excelente comportamento em pisos ruins—, mas passa a utilizar uma arquitetura elétrica mais sofisticada para reduzir o esforço do motor a combustão e melhorar a sua eficiência.

A configuração Sahara testada tem preço de referência de R$ 175.990 e utiliza tração dianteira, câmbio automático de seis marchas e o conjunto 1.3 turbo flex associado ao sistema MHEV. Mas a pergunta fundamental é inevitável: quanto a eletrificação realmente mudou o Renegade? A resposta exige entender primeiro o funcionamento do sistema.

A sigla MHEV significa Mild Hybrid Electric Vehicle, ou veículo híbrido leve. A diferença fundamental para um híbrido convencional está na capacidade de movimentação exclusivamente elétrica. No Renegade Sahara MHEV, o motor elétrico não substitui o motor a combustão na tração das rodas. Ele trabalha como auxiliar. O sistema híbrido leve substitui o alternador convencional por um motor-gerador ligado por correia.

O sistema utiliza arquitetura elétrica de 48 V e um BSG —Belt Starter Generator (ou motor-gerador acionado por correia)— instalado junto ao motor térmico. Esse componente pode funcionar de duas maneiras. Durante desacelerações e frenagens, recupera parte da energia cinética que normalmente seria dissipada na forma de calor pelos freios e transforma essa energia em eletricidade, armazenada em uma bateria de íons de lítio de aproximadamente 0,82 kWh.

E quando necessário, o sistema utiliza essa energia para auxiliar o motor 1.3 turbo. É uma solução relativamente simples quando comparada à de um híbrido pleno, mas bastante eficiente para reduzir os momentos em que o motor a combustão trabalha em condições menos favoráveis.

O BSG chega a desenvolver 15,5 cv de potência e 6,5 mkgf de torque, mas esses números não devem ser interpretados como potência adicional permanentemente disponível. O motor elétrico atua durante determinados momentos da condução e não transforma o Renegade em um SUV com potência combinada, equivalente à soma dos valores dos dois motores.

Na prática, seu trabalho mais importante aparece justamente nos primeiros metros de uma aceleração. É nesse instante que o motor térmico precisa vencer a inércia do veículo e colocar aproximadamente 1,5 toneladas em movimento. O auxílio elétrico reduz esse esforço.

O coração da parte mecânica continua sendo o eficiente motor de quatro cilindros 1.3 turbo flex da linha T270. Na configuração 2027, o motor entrega 176 cv de potência máxima e 27,5 mkgf de torque também máximo, valores associados às novas calibrações destinadas ao atendimento das exigências de emissões do Proconve L8.

O torque máximo surge em baixa rotação, por volta dos 2.000 rpm, característica que combina muito bem com a proposta de um SUV familiar. O motor não precisa ser constantemente levado a rotações elevadas para produzir força, basta pressionar o acelerador para que o turbo entre em ação e o torque apareça com bastante autoridade.

A grande diferença do MHEV é que existe agora uma espécie de “ajudinha” elétrica justamente quando o motorista solicita aceleração. Isso é especialmente perceptível nas saídas de semáforos, nas retomadas em baixa velocidade e nas situações em que o câmbio precisa decidir entre manter uma marcha ou reduzir.

O sistema elétrico consegue preencher parte do intervalo entre a solicitação do acelerador e a efetiva produção de torque pelo motor turbo. O resultado é uma resposta mais progressiva. Não se trata, portanto, de buscar números espetaculares de desempenho: o objetivo é tornar o comportamento mais eficiente e agradável.

Entre suas virtudes, o Renegade sempre teve uma característica que o diferencia de boa parte dos SUVs compactos modernos: ele transmite sensação de solidez, incorporando bem essa característica típica dos Jeep. Essa impressão começa na posição de dirigir. O banco é alto, a área envidraçada é generosa e o para-brisa relativamente vertical contribui para uma visão dianteira muito boa, e o motorista rapidamente encontra uma posição natural ao volante.

A direção apresenta peso adequado e transmite uma sensação mais firme do que aquela encontrada em alguns concorrentes de orientação predominantemente urbana. Isso combina com a personalidade do Jeep; o Renegade não tenta parecer um hatch elevado. Ele nasceu e continua sendo um SUV.

E isso fica ainda mais evidente quando o piso começa a piorar. Se existe uma área na qual o Renegade continua extremamente competitivo, é no conjunto de suspensão. Valetas, buracos, remendos e lombadas são absorvidos com competência, como cabe a um Jeep. O curso de suspensão relativamente generoso e a calibração voltada para o conforto permitem que o veículo atravesse pisos deteriorados sem transmitir impactos excessivos à cabine.

Esse comportamento é particularmente interessante em estradas brasileiras. Em velocidades urbanas, o Renegade absorve irregularidades com suavidade, e em rodovias, mantém boa estabilidade direcional. E, quando aparece uma sequência de curvas, a carroceria inclina pouco para um SUV de seu porte.

Não existe a sensação de conduzir um veículo excessivamente macio, e a suspensão foi calibrada para preservar controle de carroceria. Essa combinação de conforto e estabilidade continua sendo um dos argumentos mais fortes a favor do Renegade. Em todas avaliações que fizemos dos Renegade, sempre destacamos a qualidade de rodagem do modelo, especialmente sobre pavimentos deteriorados.

O câmbio automático de seis velocidades, fabricado pela Aisin, não é novidade. E justamente por isso sua atuação merece uma análise mais cuidadosa. A transmissão trabalha de maneira impecável, previsível, e mantém o motor em uma faixa adequada de rotação na maior parte do tempo. Em condução tranquila, as trocas são suaves.

Quando o acelerador é pressionado com maior intensidade, entretanto, o conjunto possui qase a mesma rapidez de transmissões automáticas mais modernas com oito marchas ou de algumas caixas de dupla embreagem. Assim, a combinação entre o conversor de torque e o motor 1.3 turbo funciona bem para a proposta do Renegade.

O sistema MHEV ajuda inclusive a reduzir a percepção de demora em algumas situações. A assistência elétrica entra em ação justamente em um momento no qual o conjunto convencional poderia apresentar pequenas hesitações.

Com bons 176 cv e 27,5 mkgf, o Renegade Sahara continua sendo um dos SUVs compactos mais fortes do segmento. O desempenho é suficiente para deslocamentos urbanos ou viagens rodoviárias sem dificuldades. E em ultrapassagens, o torque abundante permite ganhar velocidade com relativa facilidade.

Os números de aceleração no zero a 100 km/h ficam na casa dos 8,9 segundos, dependendo das condições. A velocidade máxima é de 206 km/h. É importante, entretanto, observar que a versão MHEV ficou aproximadamente 55 kg mais pesada em relação à configuração equivalente sem o sistema híbrido leve. O peso adicional vem principalmente dos componentes elétricos e da bateria.

Essa massa extra não é suficiente para transformar o Renegade em um carro lento, mas influencia um pouquinho a resposta dinâmica e poderia ser percebida em acelerações mais fortes. É justamente aí que o sistema elétrico tem uma função importante: compensar parcialmente esse aumento de massa e melhorar a resposta inicial.

Quando o motorista seleciona o modo Sport, a personalidade do Renegade muda. O modo Sport no Jeep Renegade Sahara MHEV 2027 altera a calibração do acelerador eletrônico, da injeção e das trocas de marcha para eliminar qualquer hesitação, voltado à maior eficiência energética e entregar respostas bem mais imediatas e vigorosas do motor. Com o modo Sport ativado, o SUV extrai toda a disposição do conjunto mecânico.

É o modo indicado para uma condução menos conservadora ou para situações em que seja necessário obter respostas mais imediatas. No uso cotidiano, entretanto, o modo convencional é suficiente. O Renegade não precisa ser conduzido de maneira agressiva para demonstrar sua capacidade; seu forte é a disponibilidade de torque.

A eletrificação então faz diferença? Aqui está talvez o ponto mais importante do projeto. O sistema MHEV não foi desenvolvido para transformar o Renegade em um veículo extremamente econômico e seu objetivo é reduzir o consumo. Existe diferença entre as duas coisas. ]

O sistema elétrico trabalha especialmente bem em ambiente urbano, onde existem constantes ciclos de aceleração, desaceleração e parada. A energia recuperada durante a desaceleração é armazenada na bateria e posteriormente utilizada para auxiliar o motor.

Outra vantagem está no funcionamento do sistema Start/Stop. O BSG consegue ligar o motor de maneira mais rápida e suave do que um motor de partida convencional, tornando as interrupções e partidas menos perceptíveis. É uma mudança pequena, mas que melhora bastante a sensação de refinamento no trânsito.

Medições de consumo realizadas com o modelo indicam melhora de eficiência, embora o ganho não seja suficiente para colocar o Renegade MHEV entre os SUVs mais econômicos do mercado. A filosofia é diferente: não economizar combustível substituindo o motor a combustão, mas fazer o motor a combustão trabalhar de maneira mais inteligente e eficiente. O sistema híbrido leve proporciona melhora em torno de 7% a 8% no consumo de combustível na cidade em comparação com a versão puramente a combustão.

Abastecido com gasolina, o consumo urbano que medimos foi de 11,9 km/litro, e na estrada, marcou até 14,3 km/l, variando conforme o estilo de condução. Na estrada, o benefício do MHEV tende a ser menos perceptível do que na cidade. Em velocidade constante, o motor elétrico tem menos oportunidades de atuar e, depois de estabilizado o veículo, o 1.3 turbo assume praticamente todo o trabalho.

O Renegade nas estradas, porém, demonstra uma de suas melhores características nesse ambiente: estabilidade. A carroceria permanece firme e o isolamento acústico é satisfatório. O motor trabalha em rotações relativamente baixas em velocidade de cruzeiro, e o torque permite realizar ultrapassagens sem necessidade de planejamento excessivo. Em estradas sinuosas, a direção firme e a suspensão bem controlada transmitem segurança. É um daqueles SUVs que gosta de estrada.

O sistema de freios transmite segurança e possui boa modulação. O Renegade Sahara 2027 conta com sistema de freios a disco nas quatro rodas, sendo os dianteiros ventilados (305 mm de diêmetro) e os traseiro (278 mm de diâmetro), sólidos. O sistema conta ainda com ABS, EBD, controle eletrônico de estabilidade, controle de tração e assistente de partida em rampa. O freio de estacionamento é elétrico, com acionamento e liberação automáticos, mas sem a função Auto Hold

O pedal apresenta resposta progressiva, permitindo controlar facilmente a intensidade da frenagem. A eletrificação também interfere na dinâmica de desaceleração por meio da recuperação de energia. Quando o motorista tira o pé do acelerador, parte da energia cinética pode ser convertida novamente em eletricidade. Esse processo é integrado ao sistema de frenagem convencional, sem criar uma sensação excessivamente artificial no pedal.

É mais uma diferença que o motorista percebe apenas quando começa a observar o funcionamento do veículo com atenção.

Uma das mudanças mais importantes da linha 2027 está no interior. O Renegade recebeu um painel completamente modernizado, com linhas mais horizontais e central multimídia com tela de 10,1 polegadas. O desenho aproxima o SUV de modelos maiores da marca.

O console também foi revisto e passou a utilizar uma arquitetura semelhante à encontrada no Compass. A mudança interna é significativa e o Renegade ficou mais atual sem perder sua identidade.

A posição da central multimídia é adequada e facilita a visualização. O sistema oferece conectividade com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Também está disponível o sistema “Adventure Intelligence”, que amplia a interação do proprietário com o veículo por meio de funções conectadas.

A ergonomia continua sendo um dos pontos positivos deste Jeep. Comandos importantes estão ao alcance do motorista, a posição elevada dos bancos facilita o acesso e melhora a visibilidade, o volante apresenta boa regulagem e o quadro de instrumentos permite visualizar as principais informações sem exigir grandes malabarismos.

A nova configuração do console também trouxe saídas de ar-condicionado para os passageiros traseiros, além de conexões USB dos tipos A e C. São pequenas melhorias, mas que fazem diferença no uso familiar.

Dizem que não há ganho sem perda, e assim, nem tudo evoluiu na mesma direção. Apesar do painel ter aparência mais moderna, algumas áreas passaram a utilizar materiais mais simples. O topo do painel, que anteriormente apresentava acabamento mais macio, agora utiliza plástico rígido. É uma decisão difícil de justificar em um SUV que se aproxima dos R$ 176 mil, mas que a marca julgou ser necessária.

A qualidade de montagem continua boa, e não há nenhuma sensação de fragilidade estrutural. Mas qualidade construtiva e qualidade percebida são coisas diferentes. O Renegade transmite robustez, mas poderia entregar materiais um pouco mais sofisticados pelo preço cobrado.

No espaço interno está um ponto em que a idade do projeto começa discretamente a aparecer. Por suas dimensões -4,27 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,71 m de altura e entre-eixos de 2,57 m- o Renegade nunca foi referência em espaço traseiro.

Por ali, a distância entre-eixos limita o espaço disponível para as pernas dos passageiros. Dois adultos viajam com conforto razoável, mas três adultos no banco traseiro encontram limitações. Na verdade isso acontece na maioria dos veículos desse porte. O teto alto ajuda no espaço para a cabeça, mas o comprimento interno não permite acompanhar a evolução trazida por alguns concorrentes mais recentes.

Não é uma falha, apenas uma característica estrutural do projeto. Não é possível corrigir isso com uma simples atualização.

O porta-malas é bom, com capacidade de 385 litros. O espaço é suficiente para as necessidades cotidianas de um casal ou de uma pequena família, mas não está entre os melhores da categoria. Por outro lado, a manutenção do estepe alojado sob o assoalho é uma vantagem importante para quem viaja.

E existe uma crítica difícil de não ser feita: a tampa traseira continua sendo aberta de maneira manual, e em um veículo dessa faixa de preço, alguns concorrentes já oferecem soluções elétricas ou sistemas mais sofisticados de abertura. Mas tudo faz parte da necessária contenção de preço.

A versão Sahara conta com um “pacote” bastante relevante de equipamentos de segurança. Entre os recursos disponíveis estão frenagem autônoma de emergência, monitoramento de pontos cegos, detector de fadiga e alerta de mudança de faixa. São sistemas que representam uma evolução importante em relação aos veículos de gerações anteriores.

Mas o Renegade Sahara 2027 também sente falta de itens como controle de velocidade adaptativo, o ACC. Outra é a ausência de câmera com visão 360 graus. Em um veículo que é constantemente atualizado, essas ausências chamam atenção, principalmente diante do avanço tecnológico dos concorrentes.

A versão Sahara utiliza rodas de liga-leve de 18 polegadas com desenho específico e acabamento diamantado, calçadas com pneus na medida 225/55. Visualmente, as rodas combinam muito bem com a carroceria quadradinha.

Entretanto, existe sempre uma questão técnica que deve ser observada quando se utilizam rodas grandes em um SUV compacto: os pneus de perfil mais baixo. Embora contribuam para a aparência e para a resposta direcional, eles podem transmitir mais impacto para a suspensão. No caso do Renegade, a boa calibração do conjunto consegue compensar essa característica. E o resultado é que o Renegade permanece bastante confortável.

Voltando ao assunto da eletrificação, é no trânsito urbano que o MHEV faz mais sentido. O ciclo típico de “parar → arrancar → acelerar → desacelerar → parar novamente” é exatamente o cenário no qual a eletrificação leve consegue trabalhar melhor.

O motor elétrico ajuda nas arrancadas, a bateria recupera energia nas desacelerações, o sistema Start/Stop torna-se mais suave e o motor turbo precisa fazer menos esforço em determinados momentos.

O motorista não sente uma transformação radical. Na verdade, essa é uma das características interessantes do sistema. Ele trabalha silenciosamente, não existe uma mudança brusca de comportamento e o Renegade continua sendo um Renegade, mas que agora utiliza eletricidade para fazer algumas tarefas que antes dependiam exclusivamente do motor a combustão.

Para a linha 2027, o Renegade ganhou retoques externos que atualizaram seu visual. A versão Sahara tem pintura contrastante no teto e nos retrovisores, em preto brilhante. A grade ficou mais fechada, quadrada e com detalhes em preto brilhante. Tanto o para-choque dianteiro quanto o traseiro foram redesenhados para um aspecto mais robusto e os faróis em LED ganharam novos detalhes internos e arranjo de pontos de LED diferenciados.

Mesmo com todas as mudanças, o Renegade não perdeu sua principal qualidade: a personalidade. Em um mercado no qual vários SUVs parecem ter sido desenhados a partir da mesma fórmula, o Jeep continua imediatamente reconhecível. A carroceria tipo “caixotinho”, os faróis redondos, a tradicional grade de sete fendas, coluna C larga e as proporções robustas continuam presentes e dão o tom do carro.

A linha 2027 modernizou o conjunto sem tentar transformá-lo em outro automóvel. Isso é importante. O Renegade tem uma identidade muito mais forte do que a média dos SUVs compactos, e preservar isso é necessário.

A principal mudança mesmo, como dissemos antes, é o sistema MHEV. Depois de analisar a fundo o carro e o conjunto, é possível resumir a evolução proporcionada em cinco pontos: 1. Resposta inicial: o motor elétrico ajuda o 1.3 turbo nas primeiras acelerações; 2. Start/Stop: as partidas ficaram mais rápidas e suaves; 3. Recuperação de energia: parte da energia das desacelerações retorna para a bateria; 4. Consumo: a eficiência melhora, principalmente em utilização urbana e 5. Refinamento: o conjunto passa a trabalhar de maneira mais suave em situações de baixa velocidade.

O MHEV não transforma o Renegade em um híbrido pleno. Mas cumpre exatamente aquilo que promete, que é uma eletrificação leve, que não custa um caminhão de dinheiro para o comprador.

Jeep é sinônimo de off road. Aqui existe uma distinção fundamental. O Sahara MHEV testado possui tração dianteira. Portanto, apesar da tradição Jeep e da boa capacidade de absorção da suspensão, ele não deve ser confundido com as versões 4×4 destinadas a utilização fora de estrada mais severa.

Em estradas de terra, cascalho e pisos irregulares, o Renegade Sahara demonstra boa capacidade. A altura livre do solo (20,8 cm, aumento em relação aos antigos 19,2 cm), os bons ângulos da carroceria (25,6º de entrada -antes era 22º- e 31,8º de saída ajudam.

Mas, sem tração integral, presente em outras versões, o limite da desenvoltura aparece mais rapidamente em lama, areia profunda ou terrenos de baixa aderência. Para utilização predominante urbana e rodoviária, entretanto, a configuração 4×2 é perfeitamente adequada ao compromisso do Renegade.

CONCLUSÃO

O Jeep Renegade Sahara MHEV 2027 é um caso interessante de evolução automotiva. Ele não tenta reinventar completamente o produto, pois seu desenho é pronto, bem definido e não cabendo mudanças profundas. Ao contrário.

A Jeep pegou para 2027 um projeto conhecidoe testado, preservou sua identidade e acrescentou uma camada de eletrificação para mantê-lo competitivo diante de uma categoria que mudou radicalmente desde o lançamento do Renegade.

O sistema MHEV de 48 volts é tecnicamente coerente com essa proposta. Não oferece condução elétrica independente, não permite que o veículo percorra quilômetros utilizando apenas a bateria e não proporciona uma transformação radical no consumo.

Mas, praticamente sem custo adicional, trabalha nos momentos em que a assistência elétrica é mais útil: arrancadas, retomadas de baixa velocidade, desacelerações e funcionamento do Start/Stop.

O motor 1.3 turbo continua sendo o protagonista. Com 176 cv e 27,5 mkgf, entrega desempenho suficiente para tornar o Renegade um SUV rápido e ágil dentro de sua categoria.

A suspensão continua sendo um dos pontos altos, a estabilidade é convincente, a posição de dirigir é excelente e a reformulação da cabine modernizou profundamente a experiência a bordo.

Por outro lado, o projeto começa a revelar sua idade. O espaço interno traseiro não é dos melhores; o porta-malas ainda é apenas razoável, a tampa traseira de abertura manual parece inadequada para a faixa de preço e a ausência de recursos como ACC e câmera 360 graus reduzum pouco sua competitividade tecnológica diante dos rivais mais recentes.

Ainda assim, o Renegade Sahara MHEV 2027 tem algo que não aparece em nenhuma ficha técnica: personalidade, algo que agrada em cheio quem curte os Jeep e perdoa qualquer deslize. Ele não é o SUV mais espaçoso, não é o mais tecnológico e não é o mais econômico, mas continua sendo um Jeep, dos mais sólidos e reconhecíveis nas ruas e estradas.

A eletrificação de 48 volts não muda sua personalidade. Apenas acrescenta uma nova ferramenta a um conjunto que já conhecemos. E, talvez, essa seja a melhor definição para o Renegade 2027: um veterano que começou a usar eletricidade sem deixar de ser Jeep.

PONTOS FORTES

  • Excelente comportamento da suspensão;
  • boa estabilidade em rodovias;
  • motor 1.3 turbo potente e com torque abundante;
  • assistência elétrica melhora as respostas em baixa velocidade;
  • funcionamento mais suave do Start/Stop;
  • posição de dirigir elevada e boa visibilidade;
  • identidade visual forte;
  • nova central multimídia de 10,1 polegadas;
  • bom pacote de segurança ativa.

PONTOS A MELHORAR

  • espaço traseiro limitado;
  • porta-malas apenas razoável;
  • ausência de ACC;
  • ausência de câmera 360°;
  • câmbio automático de seis marchas já demonstra a idade do conjunto;
  • tampa do porta-malas manual.

O Renegade Sahara MHEV 2027 não é uma revolução. É uma evolução inteligente de um SUV que ainda tem argumentos muito fortes e público fiel. A eletrificação leve melhora a eficiência e, principalmente, a resposta em baixa velocidade, enquanto o excelente acerto de suspensão e a robustez estrutural continuam sendo diferenciais importantes.

Seu maior desafio não está na mecânica, mas na relação entre preço e modernidade. Por cerca de R$ 176 mil, o consumidor encontra concorrentes com mais espaço, mais recursos eletrônicos e soluções de assistência à condução mais avançadas, mas que não ostentam a marca Jeep desse porte, e esse nome pesa.

Mesmo assim, para quem valoriza posição de dirigir, estabilidade, conforto, robustez e personalidade, o Sahara MHEV continua sendo uma alternativa bastante interessante.

A verdade é que o Jeep Renegade amadureceu bem, e deixa claro que ainda sabe jogar o jogo…


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