TESTE – Ram Dakota Laramie 4×4
A inteligente recuperação de um nome histórico para a Chrysler em uma picape que aposta em refinamento, capacidade off-road e tecnologia. Avaliação completa da nova Ram Dakota Laramie.
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Poucos nomes carregam tanta tradição e admiradores no segmento das picapes médias quanto a Dakota. O modelo foi lançado nos Estados Unidos em 1987 e ficou em linha até 2011, e no Brasil foi produzida de 1998 a 2001. Agora o nome Dakota está de volta, graças à Ram, em nova geração.
por Ricardo Caruso

Durante anos, a Dodge Dakota ocupou no mercado um espaço próprio entre as picapes compactas e as full-size norte-americanas, conquistando uma legião de admiradores por reunir robustez, dirigibilidade semelhante à de um automóvel e capacidade de trabalho acima da média. Agora, sob a marca Ram, o nome retorna em uma proposta completamente diferente, alinhada às exigências do mercado moderno.

Apresentada no Brasil no final do ano passado, é feita em Córdoba, na Argentina, e usa a mesma plataforma derivada da Changan/Peugeot Landtrek/Fiat Titano. É equipada com motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 mkgf de torque máximos, e câmbio automático de oito marchas com sistema de tração 4×4.

A nova Ram Dakota Laramie 4×4 nasce em um cenário extremamente competitivo. Nunca houve tantas opções no segmento das picapes médias. Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10, Mitsubishi Triton, Volkswagen Amarok, Nissan Frontier e Fiat Titano disputam um consumidor cada vez mais exigente, que espera encontrar no mesmo veiculo conforto de SUV, tecnologia de automóvel premium e capacidade de trabalho de veículo comercial.

A Ram decidiu não disputar espaço no mercado apenas pela força. O objetivo foi oferecer uma picape que combinasse refinamento, silêncio de funcionamento, excelente dinâmica rodoviária e um “pacote” eletrônico comparável ao encontrado em SUVs de categorias superiores.

A nova picape chegou nas versões Big Horn (opção de entrada, com preço público de R$ 285.990 ou R$ 249.990 para PJ); Warlock (R$ 289.990 com visual off-road escurecido), a Laramie que avaliamos (R$ 322.990, acabamento mais refinado) e Laramie Night Edition (R$ 322.990, com detalhes estéticos escurecidos exclusivos).

Durante duas semanas colocamos a Dakota Laramie à prova em diferentes condições de uso: trânsito urbano, rodovias, estradas sinuosas, sobe e desce de serras, pisos irregulares, trechos de terra, lama e situações típicas de trabalho pesado. O resultado mostrou uma picape extremamente equilibrada e agradável, cuja principal virtude talvez seja justamente não possuir um único ponto forte isolado, mas sim um conjunto muito bem desenvolvido.
DESENHO: ELEGÂNCIA NA IMPONÊNCIA
Visualmente, a Dakota procura transmitir identidade própria dentro da “família” Ram. Não é apenas uma Rampage anabolizada nem uma Titano com outro acabamento. Seu projeto apresenta proporções típicas das picapes médias globais, com entre-eixos generoso e balanços curtos na frente e na traseira, que favorecem tanto a agilidade e estabilidade como permite bons ângulos de ataque e saída.

A dianteira é dominada pela tradicional grade de grandes dimensões, mais ou menos sextavada, elemento marcante da identidade das Ram. Na versão Laramie, detalhes cromados aparecem na medida certa, transmitindo sofisticação sem exageros. Os faróis totalmente em LED apresentam excelente distribuição do facho luminoso, enquanto as luzes diurnas possuem assinatura visual facilmente reconhecível.


Nas laterais, destacam-se os para-lamas com bordas definidas, rodas de liga-leve de grande diâmetro (a Laramie sai de fábrica com rodas de liga-leve 18×7,5 com acabamento diamantado e pneus na medida 265/60, focalizando em um rodar mais urbano e refinado), e linha de cintura elevada, que reforça a sensação de robustez. A traseira mantém desenho limpo, com lanternas em LED e tampa de caçamba de abertura suave, facilitada por um amortecedor.

O resultado é uma picape que transmite força sem parecer excessivamente agressiva, característica que certamente agradará tanto usuários urbanos quanto proprietários rurais.
ACABAMENTO ACIMA DA MÉDIA
Ao abrir a porta, percebe-se imediatamente o cuidado dedicado pela Stellantis ao ambiente interno. A cabine da Laramie aproxima-se muito mais de um SUV luxuoso do que das tradicionais picapes médias.

Os bancos são rvestidos de couro de excelente qualidade e o logo da marca gravado nos encostos, com espuma de densidade variável que proporciona conforto em viagens longas. No caso do modelo avaliado, os revestimentos eram num elegante marrom clarinho, que os argetinos que a produzem provavelmente chamam de dulce de leche… Os bancos dianteiros contam com regulagens elétricas, memória de posição e aquecimento, enquanto o volante multifuncional também recebe revestimento em couro; a fileira traseira oferece saídas de ar dedicadas, mas mantém o encosto mais vertical, típico de picapes médias

O painel apresenta materiais macios ao toque na maior parte das superfícies superiores, combinados com detalhes metálicos escovados e acabamento de alto nível. Os encaixes demonstram excelente precisão, sem folgas aparentes, e mesmo rodando em pisos bastante deteriorados, praticamente não surgiram ruídos internos, evidenciando um bom trabalho estrutural.
ERGONOMIA
A ergonomia merece elogios. A posição de dirigir é perfeita, e o banco do motorista oferece ampla regulagem de altura e distância; o volante conta com ajustes de distância e inclinação. Os comandos principais estão agrupados de maneira lógica, fáceis de encontrar e usar.

A visibilidade dianteira é ampla, enquanto os espelhos externos oferecem excelente cobertura. A câmera de 360°/540° graus (que permite visão tridimensional e embaixo do chassi), facilita enormemente as manobras em ambientes urbanos. A central multimídia possui resposta rápida e ótima resolução, enquanto o painel digital pode ser configurado conforme a preferência do motorista, com tela de sete polegadas, integrado à central multimídia de 12,3 polegadas (totalizando mais de 19 polegadas em telas no painel), conjunto esse que oferece conectividade sem fio, computador de bordo completo e visual moderno

A ergonomia demonstra forte influência da engenharia norte-americana: tudo foi pensado para reduzir distrações durante a condução.
TURBODIESEL
Sob o capô encontra-se o moderno motor de quatro cilindros turbodiesel de 2,2 litros. Esse motor é de origem italiana, desenvolvido pela Stellantis . Trata-se do 2.2 Turbodiesel Pratola Serra, inicialmente importado da Europa e com produção nacionalizada no complexo do Grupo em Córdoba, na Argentina
À primeira vista, seus números podem parecer discretos quando comparados aos motores V6 a gasolina utilizados por algumas concorrentes. Entretanto, engenharia não se resume à potência máxima. O propulsor entrega aproximadamente 200 cv de potência e torque elevado disponível em baixas rotações, característica fundamental para aplicações em picapes.
O turbo de geometria variável reduz significativamente o atraso das respostas, a injeção common rail trabalha com altíssima pressão e o gerenciamento eletrônico controla com extrema precisão a dosagem de combustível. Resultado: acelerações interessantes desde pouco acima da marcha lenta.
Mesmo transportando carga, o motor demonstra enorme elasticidade. Em retomadas de velocidade entre 80 e 120 km/h, a Dakota transmite sensação de sobra de força. A faixa útil de torque é bastante ampla, permitindo condução tranquila sem necessidade constante de reduções.

Outro destaque é o baixo nível de vibrações. Os coxins hidráulicos e o excelente isolamento acústico praticamente eliminam as vibrações típicas dos motores Diesel. Ao volante, a sensação é muito próxima à encontrada em SUVs de categoria superior.
MOTOR EM DETALHES
Como dissemos, à primeira vista um motor de quatro cilindros e 2,2 litros pode parecer algo modesto diante dos V6 ou cinco cilindros que equiparam diversas picapes médias ao longo das últimas décadas. No entanto, a evolução da engenharia dos motores Diesel mostra que cilindrada deixou de ser o principal indicador de desempenho.
O 2.2 turbodiesel da Ram Dakota foi desenvolvido para entregar o que realmente importa em uma picape: torque abundante em baixas rotações, eficiência energética, baixo nível de emissões e elevada durabilidade.
A configuração de quatro cilindros em linha proporciona menor comprimento do conjunto mecânico, favorecendo a distribuição de massas e facilitando o acesso para manutenção.
O motor utiliza bloco em ferro fundido de alta resistência, escolhido por suportar as elevadas pressões internas típicas de um turbodiesel moderno. O cabeçote é produzido em liga-leve de alumínio, solução que melhora a dissipação térmica e reduz o peso do conjunto.
O comando duplo de válvulas no cabeçote (DOHC), acionado por corrente, controla quatro válvulas por cilindro, permitindo melhor enchimento das câmaras de combustão e maior eficiência volumétrica.
Um dos principais responsáveis pelo bom desempenho do motor é o sistema de injeção eletrônica Common Rail.
Diferentemente dos antigos sistemas mecânicos, onde as bombas alimentavam individualmente um cilindro, o Common Rail trabalha com um acumulador (“rail”) que mantém o diesel permanentemente sob alta pressão.
Essa tecnologia permite:
- pulverização bastante fina do combustível;
- maior eficiência da combustão;
- redução do consumo;
- diminuição das emissões;
- funcionamento mais silencioso.
A unidade de comando eletrônico pode realizar múltiplas injeções durante um único ciclo de combustão —pré-injeção, injeção principal e pós-injeção— reduzindo o ruído característico dos motores Diesel e melhorando a suavidade de funcionamento. Outro componente fundamental é o turbocompressor de geometria variável (VGT).

Nos turbocompressores convencionais existe um compromisso inevitável: turbinas pequenas respondem rapidamente, mas limitam a potência em altas rotações, ou turbinas grandes que oferecem maior potência, porém apresentam atraso na resposta, conhecido como turbo lag.
O turbocompressor de geometria variável (VGT / TGV) resolve esse problema por meio de palhetas móveis instaladas na carcaça da turbina.
Em baixas rotações, essas palhetas reduzem a passagem dos gases de escape, aumentando sua velocidade e fazendo a turbina girar mais rapidamente. Em altas rotações, elas se abrem, permitindo maior fluxo de gases sem criar contrapressão excessiva.
O resultado é um motor que responde prontamente desde pouco acima da marcha lenta e continua entregando força de forma linear em toda a faixa de utilização. Enquanto automóveis esportivos costumam destacar a potência máxima, nas picapes o parâmetro mais importante é o torque.
É ele quem determina:
- facilidade para arrancar carregado;
- capacidade de reboque;
- desempenho em subidas;
- condução fora de estrada;
- retomadas de velocidade.
O torque máximo do 2.2 turbodiesel aparece cedo, mantendo-se disponível em uma ampla faixa de rotações: 45,9 mkgf já a 1.500 rpm. Na prática, isso significa que a Dakota raramente precisa trabalhar em regimes elevados de rotações para entregar desempenho.
Esse comportamento reduz o consumo de combustível, diminui o desgaste mecânico e proporciona uma condução mais relaxada.
Todo o funcionamento do motor é monitorado por uma sofisticada central eletrônica, onde centenas de parâmetros são analisados continuamente, entre eles:
- temperatura do ar admitido;
- pressão do turbo;
- pressão da injeção;
- massa de ar;
- temperatura do líquido de arrefecimento;
- posição do acelerador;
- rotação do motor;
- carga solicitada.
Com base nessas informações, a central ajusta instantaneamente o volume de combustível injetado, o avanço da combustão e a atuação do turbocompressor.
Essa capacidade de adaptação garante desempenho consistente em diferentes altitudes, temperaturas e condições de uso.
Como todo turbodiesel moderno, o propulsor incorpora um conjunto de tecnologias voltadas ao atendimento das normas ambientais cada vez mais rigorosas. Entre elas estão:
- recirculação dos gases de escape (EGR);
- filtro de partículas Diesel (DPF);
- catalisador de oxidação;
- sistema de redução catalítica seletiva (SCR), quando aplicável ao mercado.
Esses componentes trabalham em conjunto para reduzir significativamente a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos, monóxido de carbono e material particulado. Além de diminuir o impacto ambiental, essas soluções tornam o funcionamento do motor mais limpo e silencioso.
Oura questão importante em uma picape é a confiabilidade, tão importante quanto desempenho. Por isso, o projeto recebeu componentes dimensionados para suportar elevadas cargas mecânicas:
- virabrequim forjado;
- bielas de alta resistência;
- pistões com galerias internas de refrigeração por óleo;
- bomba de óleo de vazão variável;
- sistema de arrefecimento otimizado.
Essas soluções contribuem para manter temperaturas estáveis mesmo em condições severas, como reboque pesado, longos aclives ou uso intenso fora de estrada.
Resumindo: o motor 2.2 turbodiesel da Ram Dakota demonstra que a engenharia moderna privilegia eficiência, elasticidade e confiabilidade. Embora sua potência máxima possa parecer discreta quando comparada a alguns rivais, a ampla disponibilidade de torque, a resposta rápida do turbocompressor de geometria variável e o refinamento do gerenciamento eletrônico resultam em um conjunto extremamente competente para o uso real.
Em vez de impressionar pelos números absolutos, ele convence pela forma como entrega desempenho: com força desde baixas rotações, funcionamento suave, consumo contido e capacidade para enfrentar tanto o trabalho pesado quanto longas viagens com conforto e segurança.
OITO MARCHAS
Se o motor impressiona pelas suas virtudes, o câmbio automático merece tantos elogios quanto. A transmissão de oito velocidades mantém o propulsor sempre trabalhando próximo da faixa ideal de torque. A caixa ZF8HP oferece trocas de marcha rápidas, quase imperceptíveis. Em uso urbano privilegia rotações baixas nas estradaz reduz rapidamente quando necessário e, em condução esportiva, alonga as marchas sem hesitação. O escalonamento demonstra equilíbrio correto entre desempenho e economia de combustível.

Outro mérito importante está na inteligência eletrônica. A central “aprende” o estilo de condução do motorista, ajustando gradualmente a estratégia das trocas. Esse comportamento adaptativo torna a condução ainda mais agradável ao longo do tempo.
ENGENHARIA POR TRÁS DA DIRIGIBIIDADE
Se existe um aspecto capaz de diferenciar uma picape atual daquelas das gerações anteriores, é o comportamento dinâmico. Durante muito tempo, esse tipo de veículo era projetado quase exclusivamente para suportar carga, deixando o conforto e a estabilidade em segundo plano. A Dakota mostra que essa lógica ficou no passado.

A suspensão da Dakota utiliza um conjunto mecânico robusto com braços sobrepostos (duplo A) na dianteira e eixo rígido com feixe de molas semielípticas na traseira. A calibragem de amortecimento é mais macia no início do curso.
Logo nos primeiros quilômetros, fica evidente que houve um intenso trabalho de calibração da suspensão e dos sistemas eletrônicos. O objetivo não foi apenas proporcionar robustez, mas fazer com que a picape pudesse ser utilizada diariamente como veículo familiar, sem os compromissos típicos de um utilitário tradicional.

Mesmo vazia, condição em que muitas picapes apresentam traseira excessivamente rígida e saltitante como um cabrito possuído pelo demònio, a Dakota mantém um comportamento surpreendentemente equilibrado. Os amortecedores possuem excelente capacidade de controlar os movimentos da carroceria, enquanto as molas absorvem irregularidades sem transmitir impactos secos à cabine.
Em ruas de paralelepípedos, lombadas e remendos de asfalto, a suspensão trabalha de maneira progressiva, filtrando boa parte das imperfeições antes que elas cheguem aos ocupantes. Não há sensação de excesso de rigidez nem de flutuação. O equilíbrio entre conforto e controle é um dos melhores do segmento.
Na dianteira, o conjunto independente proporciona elevada precisão de trajetória. Durante curvas rápidas, percebe-se pouca inclinação lateral da carroceria (rolling). A geometria da suspensão mantém os pneus em contato constante com o solo, favorecendo aderência e estabilidade.
Outro aspecto interessante é a velocidade de resposta dos amortecedores. Após passar por uma ondulação pronunciada, a carroceria estabiliza rapidamente, sem oscilações secundárias. Esse comportamento transmite grande confiança ao motorista.
Tradicionalmente, o comportamento da traseira representa o maior desafio de engenharia em uma picape. Ela precisa suportar centenas de quilos de carga sem comprometer o conforto quando vazia.
Na Dakota, esse compromisso foi resolvido com competência. Mesmo trafegando sem carga na caçamba, o eixo traseiro permanece bem assentado ao solo. Em pisos de baixa aderência, o conjunto trabalha em perfeita sintonia com os controles eletrônicos de estabilidade e tração.
Quando carregada, a tendência é que a suspensão fique ainda mais equilibrada, reduzindo a movimentação vertical típica das picapes vazias.
DIREÇÃO ELÉTRICA
A assistência elétrica do sistema de direção foi calibrada para privilegiar a precisão. Em baixa velocidade, o volante é extremamente leve e em manobras de estacionamentos exige pouco esforço.
À medida que a velocidade aumenta, a assistência diminui progressivamente. Na estrada, o volante adquire peso adequado, transmitindo excelente sensação de controle. Pequenas correções de trajetória são suficientes para manter a picape perfeitamente alinhada e, mesmo sob ventos laterais, a estabilidade direcional impressiona.
O SIM DO SILÊNCIO
O isolamento acústico é um dos maiores avanços da Dakota, algo que aparece justamente onde o motorista menos percebe: na busca do silêncio. A cabine recebeu tratamento acústico eficiente em diversos pontos estruturais: painel corta-fogo, assoalho, caixas de roda, colunas e portas.

O resultado: em velocidade de cruzeiro, o ruído predominante passa a ser o do vento, e mesmo assim em níveis bastante reduzidos. O motor Diesel praticamente “desaparece” durante viagens e conversar com os ocupantes exige apenas tom normal de voz, dada de ficar aos berros.
Essa característica realmente aproxima a Dakota muito mais de um SUV premium do que de uma picape tradicional.
RODANDO NA CIDADE
No trânsito urbano, o porte da Dakota naturalmente exige atenção. Afinal, a picape mede 5.357 mm de comprimento, 1.965 mm de largura (2.225 mm com os retrovisores), 1.823 mm de altura e possui distância entre-eixos de 3.180 mm. Para quem como nós foi criado dirigindo no dia a dia Bel Air 55, Dodge Charger R/T e Ford Landau (e até uma antiga picape Dodge D100), nada que iniba.
Entretanto, diversos recursos eletrônicos minimizam esse desafio: câmeras de alta definição, sensores dianteiros e traseiros, visão de 360/540 graus e alerta de obstáculos.

A direção leve também ajuda bastante e o câmbio automático trabalha sempre em rotações reduzidas, favorecendo conforto e economia. Nas arrancadas, o elevado torque permite movimentar a picape com extrema suavidade. Não há necessidade de acelerar intensamente e o motor sempre responde de maneira imediata.
RODANDO NA ESTRADA
É nas estradas que a Dakota revela sua personalidade. Mantendo velocidade de cruzeiro, a cabine permanece extremamente silenciosa. A estabilidade em curvas e direcional impressiona, e as ultrapassagens são realizadas com segurança, graças ao bom torque disponível em baixas rotações.
Mesmo em aclives longos, o conjunto mecânico demonstra fôlego; o câmbio reduz apenas quando realmente necessário. Nas curvas, o controle eletrônico de estabilidade atua discretamente, a carroceria permanece sempre bem apoiada e por isso o motorista transmite confiança aos passageiros.
DESEMPENHO
Jeitão de SUV, com desempenho de SUV. Embora uma picape média como a Dakota dificilmente seja adquirida pensando em esportividade, ela entrega desempenho convincente. As acelerações ocorrem de forma linear e o turbo entra em ação cedo.
O torque elevado elimina praticamente qualquer sensação de falta de potência. Retomadas entre 60 e 100 km/h acontecem rapidamente, em 6,1 segundos. Mesmo transportando carga ou rebocando implementos, a reserva de torque permanece suficiente.
Na nossa medição, a Dakota Laramie equipada com o motor 2.2 turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm de torque, associado ao um câmbio automático de oito marchas e tração 4×4, acelerou de zero a 100 km/h em 10,5 segundos em sua melhor marca, entregando bom rendimento em estradas. A velocidade máxima é limitada eletronicamente em 180 km/h.
CONSUMO
A picape Dakota Laramie faz, segundo dados oficiais, 9,7 km/litro de diesel na cidade e 10,8 km/l na estrada, dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro. Durante toda nossa avaliação, o consumo foi menor que isso e mostrou-se compatível com a proposta do veículo. Marcamos 11,9 km/litro na cidade e 13,2 km/l na estrada.
Em uso urbano, o sistema eletrônico privilegia trocas prematuras de marcha, reduzindo o regime de rotações. Na estrada, em velocidade constante, o motor trabalha próximo da faixa de maior eficiência térmica. O resultado é uma autonomia elevada, favorecida também pelo tanque de combustível de boa capacidade. São 80 litros, o que permite autonomia teórica de 1.056 km. Para quem percorre grandes distâncias, esse é um dos pontos fortes da Dakota.
FREIOS
O sistema de freios com quatro discos transmite segurança desde o primeiro acionamento. O pedal possui curso curto e boa modulação. Mesmo nas frenagens fortes, não provocam desvios de trajetória e o ABS atua rapidamente em pisos de baixa aderência. O controle eletrônico de estabilidade complementa o trabalho, mantendo a picape sob controle mesmo em manobras de emergência. Após repetidas frenagens, não observamos perda significativa de eficiência por superaquecimento.
O sistema de freios da Dakota Laramie é equipado com discos ventilados nas quatro rodas, auxiliados por sistemas eletrônicos de segurança ativa e assistência ao motorista. A picape adota um conjunto robusto de frenagem para suportar seu peso e capacidade de carga:
- Dianteiros: Discos ventilados de 332 mm de diâmetro x 32 mm de espessura.
- Traseiros: Discos ventilados de 340 mm de diâmetro x 22 mm de espessura.
- Tecnologias: Sistema antitravamento ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD).
- Freio de estacionamento: Acionamento eletrônico por botão no console central.
- Tecnologias ADAS: O sistema de freios atua de forma integrada com o “pacote” de segurança ativa fornecido na versão topo de linha Laramie.
Ao final da lonfa avaliação dinâmica, a conclusão é clara: a Ram Dakota Laramie foi desenvolvida para oferecer comportamento muito mais refinado do que normalmente se espera de uma picape média.
O excelente conjunto formado por motor, transmissão, suspensão e direção resulta em um veículo confortável para o uso diário, seguro em viagens longas e plenamente capaz de enfrentar condições severas de trabalho quando necessário.
Se na cidade e na estrada a Dakota Laramie se comporta como um SUV de luxo, é fora do asfalto que ela precisa justificar sua existência. Afinal, uma picape média não pode depender apenas de asfalto, conforto e tecnologia. Ela precisa enfrentar lama, areia, pedras, subidas íngremes e longas jornadas de trabalho sem comprometer sua confiabilidade.
Foi exatamente nesse ambiente que concentramos a parte mais exigente de nossa avaliação.
SISTEMA DE TRAÇÃO 4X4
A Dakota Laramie utiliza um moderno sistema de tração eletronicamente gerenciado, capaz de adaptar a distribuição de torque conforme a aderência do terreno. A Laramie possui um sistema de tração 4×4 gerenciado por um seletor rotativo no console central. Ela conta com os modos 4×2 (tração traseira), 4×4 Automático (sob demanda), 4×4 com reduzida (4L) e bloqueio mecânico do diferencial traseiro, complementados por ajustes eletrônicos de terreno
O motorista dispõe de diferentes modos de funcionamento, acionados num controle rotativo no cpnsole, cada um desenvolvido para uma situação específica.

2H – Neste modo, toda a força do motor é enviada ao eixo traseiro. É a configuração ideal para rodovias pavimentadas e uso urbano. A vantagem está na redução do consumo de combustível e do desgaste do sistema de transmissão.
4AUTO– É provavelmente o modo que permanecerá selecionado durante a maior parte do tempo. Sensores monitoram de maneira contínua a velocidade das rodas; posição do acelerador; esterçamento; aceleração lateral e perda de aderência. Quando necessário, parte do torque é enviada instantaneamente às rodas dianteiras.
Todo esse processo ocorre em frações de segundo e, na prática, o motorista sequer percebe a atuação do sistema.
4H – Nesta configuração, os dois eixos permanecem permanentemente tracionados.
A estabilidade aumenta significativamente e é indicada para pisos de baixa aderência, como:
- terra solta;
- cascalho;
- areia;
- lama leve;
- estradas rurais.
4L Reduzida – Aqui entra em ação a caixa de transferência com reduzida. A multiplicação do torque torna-se enorme e é o modo destinado a situações extremas:
- subidas muito íngremes;
- descidas técnicas;
- travessia de lama profunda;
- pedras;
- reboques pesados.
O controle do veículo em baixa velocidade impressiona. Basta modular suavemente o acelerador para que a Dakota avance quase como um trator.
BLOQUEIO DE DIFERENCIAL
Outro recurso indispensável em uma picape moderna é o bloqueio do diferencial traseiro. Quando uma roda perde completamente a aderência, o bloqueio impede que todo o torque seja desperdiçado nela. O resultado é que a roda com maior contato com o solo continua impulsionando o veículo.
Na prática, isso significa que obstáculos capazes de imobilizar picapes convencionais passam a ser superados com relativa facilidade. Durante nossos testes em erosões profundas, o sistema mostrou atuação rápida e eficiente.
Na Dakota Laramie, o bloqueio do diferencial traseiro é acionado por comando elétrico. O recurso integra o sistema de tração 4×4 com reduzida, auxiliando a picape a superar trechos off-road mais severos, atoleiros ou pisos de baixa aderência ao travar as rodas do eixo traseiro juntas.
O acionamento é feito de forma eletrônica, por meio de comandos no console central. Trabalha em conjunto com a caixa de transferência que gerencia os modos 4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida (Low) e é indicado exclusivamente para uso fora de estrada em baixa velocidade, evitando o uso em asfalto seco para não danificar a transmissão.
Em declives mais acentuados, basta selecionar o sistema de assistência à descida. A eletrônica assume completamente o controle da velocidade e o motorista apenas se ocupa do volante. Cada roda recebe pressão de frenagem individualmente e o resultado é um deslocamento extremamente controlado. Mesmo em lama ou pedras soltas, a Dakota permanece previsível.
OFF-ROAD EM NÚMEROS
Embora não tenha a pretensão de competir com modelos extremos preparados para trilhas absolutamente radicais, a Dakota apresenta geometria suficiente para enfrentar praticamente todas as situações encontradas, por exemplo, por produtores rurais, empresas de mineração, concessionárias de energia e praticantes de turismo de aventura, entre outros.

Assim, a nova Laramie apresenta um ângulo de entrada (ataque) de 27,6° e um ângulo de saída de 26,7°. Outros números que interessam para quem vai judiar um pouco da picape são: Ângulo de rampa (central): 23,5° a 24°; Altura mínima do solo: 317 mm (vão livre sob os eixos); Capacidade de travessia de água: 600 mm e Rampa máxima suportada: 42° de inclinação
O bom vão livre evita contatos frequentes com o solo, e os balanços curtos favorecem: ataque, transposição e saída de obstáculos. Durante nossa avaliação, não houve toques significativos em pedras ou valetas.
CHASSI
A Dakota Laramie compartilha o chassi de longarinas e a distância entre-eixos de 3,18 m com a Fiat Titano, mas traz carroceria exclusiva desenvolvida pela Stellantis. O comportamento observado confirma um chassi extremamente rígido.
Uma curiosidade: a nova picape Dakota deriva direto da Fiat Titano, como dissemos antes, que por sua vez descende da Peugeot Landtrek, que por sua vez nasceu de uma parceria com a fabricante chinesa Changan (Changan Hunter / Kaicene F70). Parece a população da estação espacial internacional: tem dedo de chineses, franceses, italianos, estadunidenses e brasileiros… Com excelente resultado!
Mesmo em cruzamentos de eixo severos, praticamente não surgiram ruídos estruturais, as portas continuaram abrindo normalmente e não ocorreram torções perceptíveis da cabine. Esse é um excelente indicativo da qualidade construtiva. A elevada rigidez estrutural também melhora a estabilidade; conforto; durabilidade e precisão da suspensão.
CAPACIDADE DE CARGA
Uma das missões fundamentais de qualquer picape é transportar carga. Para isso que elas surgiram. A Dakota demonstra competência nesse aspecto, pois sua caçamba tem excelente volume útil. As laterais são altas, os pontos de amarração são robustos e a tampa traseira conta com amortecimento, reduzindo o esforço durante a abertura.

A capacidade de carga útil é de 1.020 kg; o volume da caçamba de1.210 litros; a capacidade de reboque de até 3.500 kg e a caçamba tem revestimento interno, capota marítima, iluminação na caçamba e junto à terceira luz de freio (com LED), ganchos para amarração e a tampa traseira com sistema de amortecimento e trava elétrica.

Durante os testes com carga próxima ao limite permitido (quem mexe com carros antigos tem sempre muita tralha para transportar de um lado para outro), a suspensão traseira trabalhou de maneira bastante equilibrada. Não houve excesso de afundamento e a estabilidade permaneceu praticamente inalterada. O motor tinha força de sobra, a transmissão se manteve correta e a estabilidade pouco se alterou.
SEGURANÇA
No quesito segurança, a Dakota incorpora um conjunto bastante completo de assistentes eletrônicos. Entre eles destacam-se:
- frenagem autônoma de emergência;
- alerta de colisão frontal;
- assistente de permanência em faixa;
- monitoramento de ponto cego;
- alerta de tráfego cruzado traseiro;
- piloto automático adaptativo;
- reconhecimento de placas;
- assistente de reboque;
- seis airbags;
- câmeras 360/540 graus;
- controle eletrônico de estabilidade;
- controle eletrônico de tração.
O funcionamento dos sistemas é discreto e em nenhum momento observamos intervenções bruscas ou desconfortáveis.
Outro detalhe que merece elogios são faróis Full LED. O alcance é excelente, a distribuição dos fachos é homogênea; em situações completamente escuras, a iluminação transmite grande sensação de segurança. e o assistente automático que alterna entre luz alta e baixa conforme o tráfego é sensacional.
Trata-se de um conjunto óptico completo, em LED, destacando-se pela barra frontal iluminada que une os faróis, com animações ao trancar ou destrancar a picape, faróis com dois projetores, luzes de neblina com função cornering e luzes indicadoras de direção dinâmicas sequenciais. As lanternas traseiras, veritcais, também trabalha, com LEDs.
MULTIMÍDIA

A central multimídia vem equipada com uma ampla central de 12,3 polegadas com espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, combinada a um painel de instrumentos digital de 7 polegadas e a um sistema avançado de câmeras de 540°. Abaixo do multimídia ficam os contro,es do condicionador de ar.

Destaques da central: sistema de câmeras com visão 360° e função de “chassi transparente” totalizando visualização de 540° ao redor do veículo com excelente resolução. Conta ainda com recursos off-road, que traz páginas exclusivas com dados de desempenho e condução fora de estrada.
Os menus são intuitivos e o processamento é rápido. As imagens das câmeras possuem elevada definição. O sistema de áudio é Harman Kardon, de nove alto-falantes e subwoofer, que oferece qualidade compatível com o posicionamento premium da versão Laramie.
VIDA A BORDO
Depois de dias ao volante, um detalhe merece destaque: os bancos, que são extremamente confortáveis. O apoio lombar reduz significativamente a fadiga e as abas laterais mantêm o corpo firme em curvas. O comprimento do assento acomoda bem motoristas de diferentes estaturas e, mesmo após centenas de quilômetros percorridos, não houve desconforto.

Em seu projeto, fica claro que a Dakota foi desenvolvida também para uso familiar. O banco traseiro oferece espaço generoso para três ocupantes e o assoalho relativamente plano melhora o conforto do ocupante central.
Na traaeira, há diversas tomadas USB, saídas de ar-condicionado exclusivas e porta-objetos abundantes,e tudo contribui para transformar viagens longas em experiências bastante agradáveis.
CONCORRENTES
Hoje a Dakota enfrenta algumas das picapes mais tradicionais do mercado.
Toyota Hilux: em queda, continua sendo referência em confiabilidade mecânica e valor de revenda. Apresenta projeto muito antigo em alguns aspectos de conforto e tecnologia.
Ford Ranger: é a concorrente mais próxima em termos de refinamento. Possui excelente comportamento dinâmico, acabamento invejável e conjunto eletrônico bastante sofisticado.
Chevrolet S10: se apoia na tradição da marca Chevrolet, mas é outra com projeto muito envelhecido. Destaca-se pelo conjunto mecânico eficiente e ampla rede de assistência. No entanto, a Dakota oferece melhor acabamento e cabine mais refinada.
Volkswagen Amarok: já cansada no mercado, ainda impressiona pelo desempenho do motor V6. Por outro lado, a Dakota entrega maior modernidade em recursos de conectividade e assistências eletrônicas.
Fiat Titano: é uma opção interessante para trabalho pesado, mas ainda não alcança o mesmo nível de acabamento, isolamento acústico e refinamento geral da Ram.
MANUTENÇÃO
Outro aspecto importante numa picape é o intervalo de revisões e a disponibilidade de peças. A utilização de um motor turbodiesel moderno exige combustível de boa procedência e manutenção rigorosamente dentro das especificações do fabricante. Em compensação, os intervalos programados tendem a reduzir os custos operacionais ao longo do tempo. A rede Ram é bem amparada pela Stellantis, e vem sendo ampliada nos últimos anos, o que também contribui para transmitir maior confiança aos proprietários.
CONCLUSÂO
Custando R$ 322.990, a picape Ram Dakota Laramie chegou para ocupar um espaço bastante específico no segmento das picapes médias: o de um veículo que busca combinar robustez, capacidade de trabalho e refinamento em um único produto.

Seu maior mérito não está em apresentar um único atributo extraordinário, mas em reunir diversas qualidades de forma equilibrada e num patamar elevado. O motor turbodiesel entrega força abundante em baixas rotações, a transmissão automática de oito marchas trabalha com extrema competência, a suspensão consegue conciliar conforto e estabilidade, e a cabine oferece um nível de acabamento que a aproxima dos melhores utilitários esportivos premium.
No uso fora de estrada, a Dakota demonstra que sua vocação vai muito além da aparência. O sistema de tração integral, aliado à caixa de redução, ao bloqueio do diferencial traseiro e aos modernos recursos eletrônicos, garante desempenho convincente em terrenos realmente difíceis. Não é uma “picape de shopping center“; quando necessário, sabe ser bruta. Ao mesmo tempo, a condução em rodovias é silenciosa, confortável e segura, características que ampliam significativamente sua versatilidade.
Em um mercado dominado por nomes consagrados, a Dakota não tenta apenas reviver um nome histórico. Ela procura estabelecer nova referência para quem deseja uma picape média capaz de trabalhar durante a semana, viajar com conforto nos fins de semana e enfrentar trilhas ou estradas rurais quando necessário.
Pontos fortes
- Excelente conjunto motor e transmissão.
- Elevado nível de conforto.
- Isolamento acústico acima da média.
- Cabine sofisticada.
- Ótima estabilidade.
- Pacote tecnológico completo.
- Capacidade off-road convincente.

A Ram Dakota Laramie mostra que é possível unir tradição, capacidade e sofisticação em uma única picape. Trata-se de um projeto moderno, equilibrado e competitivo, preparado para atender tanto ao usuário profissional quanto à família que busca um veículo versátil para o dia a dia e para as aventuras fora do asfalto. Se mantiver a confiabilidade esperada da marca e um bom suporte pós-venda, tem todos os ingredientes para se tornar uma das principais referências entre as picapes médias do mercado brasileiro.
