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Volkswagen: 10 anos do Dieselgate

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Em setembro de 2015, um dos maiores escândalos da história da indústria automotiva — o Dieselgate — eclodiu no mundo do automóvel, tendo como pivô a Volkswagen. A empresa alemã admitiu ter instalado um software ilegal em mais de 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo. Esse software, criminoso e fraudulento, foi projetado para manipular testes de emissões, enganando consumidores e prejudicando o meio ambiente. Essa fraude não só prejudicou a reputação da marca, como também mudou o curso da regulamentação ambiental e do mercado de carros a diesel em diversos mercados. Resumindo: com o Dieselgate, a Volkswagen perdeu muito dinheiro e manchou sua imagem.

por Ricardo Caruso

O que foi o Dieselgate?

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) descobriu que modelos a diesel do Grupo Volkswagen (Volkswagen, Audi, Seat, Skoda e Porsche) eram equipados com um software conhecido como “dispositivo manipulador”. Este programa detectava quando um carro estava passando por testes de laboratório para avaliações e reduzia artificialmente as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) para cumprir os limites legais. Entretanto, em condições reais de direção, os veículos emitiram até 40 vezes mais poluentes do que o permitido. Esses chamados “dispositivos manipuladores” detectavam a direção, o acelerador e outras entradas usadas no teste para alternar entre dois modos de operação distintos, o que poluía e o que enganava.

E o que a Volkswagen ganharia fraudando as emissões de seus carros? Entre as principais causas temos:

  • Padrões Rigorosos: A imposição de padrões de emissões mais restritos, como os do EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), tornou mais difícil e mais caro para as montadoras cumpri-los. 
  • Falha Ética e Cultural: A empresa falhou em implementar políticas internas robustas para evitar a fraude, permitindo que a pressão por lucro e o desvio ético prevalecessem. 
  • Custo: Para cumprir as regulamentações impostas, a Volkswagen teria que gastar entre US$ 800 e US$ 3.000 a mais por veículo, o que eles optaram por não fazer. 

Consequências jurídicas

A fraude custou à Volkswagen muitos bilhões de dólares em multas, indenizações e litígios.

  • Em 2016 , a Volkswagen concordou com as autoridades dos Estados Unidos em pagar US$ 500 milhões em indenização aos proprietários e revendedores.
  • Em 2017, a Volkswagen se declarou culpada de conspiração para fraudar o governo dos Estados Unidos e concordou em pagar US$ 800 milhões em multas criminais e US$ 1,5 bilhões em penalidades civis.
  • Na Europa e em outros mercados, a Volkswagen enfrentou ações coletivas e foi forçada a atualizar os motores afetados.
  • No total, estima-se que a “brincadeira” custou para o Grupo Volkswagen a assustadora soma de US$ 37 bilhões.

O impacto econômico foi devastador: além de multas e indenizações, a empresa teve que reservar US$ 7,7 bilhões somente em 2015 para cobrir os custos do escândalo. Por muito pouco a empresa não faliu. O Dieselgate não só atingiu a credibilidade da Volkswagen como também colocou em questão todo o modelo de negócios baseado em motores a diesel. O escândalo levou a Volkswagen à sua pior crise na história, impactando o setor automotivo e afetando mais de 11 milhões de veículos. 

Nos Estados Unidos, a Volkswagen suspendeu a venda de veículos a diesel e foi forçada a impulsionar sua estratégia de eletromobilidade. Na Europa, onde o diesel representava mais de 50% das vendas, as autoridades reforçaram os controles de emissões e aceleraram a transição para tecnologias mais limpas.O Dieselgate também respingou no Brasil, e da mesma forma envolveu a fraude em motores a diesel da Volkswagen, especialmente os aplicados em cerca de 80.000 picapes Amarok fabricadas entre 2011 e 2015, que utilizavam o mesmo software para manipular os testes de emissão. O caso levou a ações legais, multas (como a do Ibama, de R$ 50 milhões) e processos judiciais que buscaram indenizações para os proprietários de veículos afetados. 

Modelos afetados

Os veículos adulterados mundo afora eram principalmente equipados com motores EA189, que atendiam às normas Euro 5 (2009-2015). Os modelos mais importantes ​​incluem:

  • Volkswagen: Golf , Passat, Jetta, Tiguan, Polo e Amarok, entre outros.
  • Audi: A3 , A4, A6, Q5 e Q7.
  • Seat: Ibiza , Leon , Alhambra e Exeo.
  • Skoda: Octavia , Superb , Yeti e Fabia .
  • Porsche: Cayenne

No total, pouco mais de 11 milhões de carros em todo o mundo foram afetados, incluindo 5 milhões de Volkswagen, 2,1 milhões de Audi, 1,2 milhões de Skoda e 700 mil Seat.

Ruptura

O escândalo das emissões da Volkswagen marcou uma virada no relacionamento entre a indústria, os governos e o público — uma ruptura entre o que a indústria fazia de errado em nome de economia e lucro. O Dieselgate deixou claro que práticas fraudulentas podem vir à tona a qualquer momento e que consumidores e autoridades estão cada vez mais exigindo maior transparência, sustentabilidade e responsabilidade ambiental.

A história da Volkswagen foi manchada, e hoje, 10 anos depois, ainda se conta esse caso. Atualmente, a Volkswagen está tentando reconstruir sua importância, investindo pesado e algumas vezes de maneira atabalhoada em mobilidade elétrica, com o objetivo de liderar a transição para um futuro mais limpo. Limpo em termos de imagem e de emissões…


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