Francisco e o Ford Focus: o Papa era pop
No mundo capitalista, os automóveis não são apenas simples meios de transporte, são símbolos de poder, status ou posição social. O que é uma bobagem. E o Papa Francisco, que faleceu no dia 21 de abril, foi talvez o primeiro Papa a perceber a importância do automóvel enquanto símbolo, mas símbolo de humildade e desapego. Apos ter sido eleito em 2013, e escolheu um Ford Focus hatch 2006 para os seus deslocamentos diárias no Vaticano.
por Marcos Cesar Silva

Liderando uma religião repleta de símbolos, tradições e ritos, sem os quais não há Igreja, o meio de transporte -carro de luxo ou carro simples- será talvez aquele o que menos importa, mas que acabou resumindo bem o que o Papa Francisco pretendia ser: próximo de seu povo, simples, consciente. Os mesmos princípios que o levaram a recusar sapatos vermelhos e tronos dourados, crucifixos e anéis de ouro.
Na garagem do Vaticano ficaram os carros maiores e luxuosos de outros tempos. Esta foi mais uma decisão que fez do Papa Francisco um exemplo a ser seguido pela Igreja mundo afora. Não só esta atitude, como tantas outras muito mais relevantes. Como reconhecimento ao seu constante uso papal, o Focus azul chegou a receber a placa com as letras SCV, tradicionalmente reservada aos veículos do Sumo Pontífice.

Durante visita ao Brasil para a “Jornada Mundial da Juventude” em 2013, Francisco surpreendeu ao optar por usar um Fiat Idea 1.6 Essence 2012 para circular pelo Rio de Janeiro. O necessário “papamóvel” escolhido para as aparições públicas foi um modelo antigo. O Idea está preservado na coleção que a Fiat mantém em Betim.

E não foi o único o carro humilde que utilizou durante o seu pontificado. Um Fiat 500L também teve essa função —posteriormente foi leiloado— e ganhou um Renault 4L 1984, o mesmo modelo que usava nos tempos de Argentina, e recebeu da Renault um Duster. Mas independente de veículos, luxuosos ou mais modestos, o importante é que a Igreja continue seguindo a sua estrada, observando o legado do Papa Francisco..
