Elétricos

Chinesa CATL resolve o maior problema dos elétricos: recarga em seis minutos

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A nova bateria LFP de terceira geração da CATL consegue carregar dos 10% aos 80% quase tão rápido como encher o tanque de combustível. Explicamos: a CATL -maior fabricante mundial de baterias para carros eletrificados- apresentou a terceira geração da sua bateria LFP Shenxing, e os números são interessantes. O fabricante chinês conseguiu algo que parecia reservado às baterias de estado sólido: fazer de uma célula LFP (fosfato de ferro-lítio) uma máquina de carregamento ultrarrápido sem sacrificar a durabilidade.

por Marcos Cesar Silva

Bateria LFP CATL

Segundo a CATL, a nova bateria Shenxing carrega de 10% a 35% em apenas um minuto. De 10% a 80% -uma das métricas mais comuns- precisa apenas de 3m44s. E de 10% a 98%, pouco mais de seis minutos. Para contextualizar: a bateria Blade 2.0 da BYD, recentemente apresentada, precisa de nove minutos para ir de 10% a 97%, em condições ideais de temperatura. E a bateria Shield Gold Brick da Geely, lançada também há pouco tempo, completa a mesma tarefa em 8m42s.

bateria LFP Shenxing da CATL

E como isso acontece? A resposta está no gerenciamento da temperatura. Em carregamentos muito rápidos, o inimigo não é a corrente elétrica em si, mas a temperatura que essa corrente gera. Um aumento de 10 °C na bateria pode duplicar a velocidade das reações secundárias na célula, degradando-a de forma prematura.

A CATL atacou o problema em três frentes: conseguiu reduzir a produção de calor durante o carregamento, melhorou a propagação térmica dentro do conjunto e implementou um controle de temperatura de maior precisão célula a célula. O resultado prático, segundo a empresa, é que mesmo após 1000 ciclos de carregamento ultrarrápido, a bateria mantém mais de 90% da sua capacidade original.

O segredo técnico está na Taxa C (taxa de carga). Segundo a CATL, a bateria Shenxing de terceira geração opera a um equivalente de 10C, com picos de 15C. Valores que são aproximadamente o dobro do que encontramos nos melhores carregadores rápidos disponíveis. E o que é essa Taxa C? É o que define a velocidade de carregamento diante à capacidade da bateria: 1C carrega o total em uma hora, enquanto 2C reduz essa rapidez para 30 minutos. Quanto maior este valor, mais rápido é o processo de carga, mas maior é também a exigência térmica sobre as células da bateria, o que requer um controle rigoroso para evitar o sobreaquecimento e desgaste prematuro do componente.

Para conseguir isso, a empresa afirma ter reduzido a resistência interna das células para apenas 0,25 miliohms durante o carregamento ultrarrápido, valor que, segundo a CATL, é 50% abaixo da média da indústria. Uma resistência interna mais baixa significa menos energia dissipada em calor e maior fluxo de corrente possível. É esta a equação da velocidade de carga, simplificada.

Ainda há uma variável que costuma ser o ponto fraco dos carregamentos rápidos: o frio. A CATL resolveu isso com uma tecnologia de auto-aquecimento por pulso eléctrico que, segundo a empresa, aquece o conjunto muito mais rápido do que os sistemas convencionais baseados em fluido refrigerante. A -30 °C, a gigante das baterias explicou que o carregamento de 20% a 98% demoraria apenas nove minutos.

A CATL não divulgou a tensão nominal nem a potência máxima de entrada, o que deixa algumas questões em aberto quanto à infraestrutura de carregamento necessária. Afinal, de que adianta ter uma bateria capaz de carregar muito rápido se não há local apropriado para carregar? Mas a mensagem está dada e é clara: a nova bateria LFP da CATL —que apresenta química mais barata, mais estável e sem dependência de cobalto— acaba de dar um salto que tem potencial de tornar a parada num ponto de carregamento cada vez mais próxima de um simples abastecimento de gasolina.


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