AUTO&TÉCNICA FILES #138 – Ferrari F40 1987
O material que você verá a seguir é raríssimo: trata-se do catálogo de apresentação do Ferrari F40, em italiano, como convém. Mas antes, um pouco de história.
por Rubens Caruso Junior
Lançada em 1987 para celebrar os 40 anos da marca, o Ferrari F40 consolidou-se como o ápice dos superesportivos “analógicos” e foi o último projeto chancelado pessoalmente pelo Commendatore Enzo Ferrari. Nascida da mistura do DNA das pistas típico da marca com o autêntico orgulho italiano, sua proposta era purista: não trazia assistência de direção, a abertura das portas era feita por uma cordinha interna, nada de freios ABS ou luxos internos, ostentando linhas agressivas e puras, com uma imponente asa traseira integrada e carroceria composta por fibra de carbono e Kevlar, o que continha seu peso em apenas 1.254 kg.
O coração dessa opera d’arte é um motor 2.9V8 biturbo, de 478 cv de potência e 58,8 mkgf de torque, máximos. Com câmbio manual de cinco marchas, esse conjunto levou a F40 a cravar seu nome na história como o primeiro automóvel de produção em série a romper a barreira das 200 mph, atingindo a velocidade máxima de 321,8 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos.
Nota da Redação: antes que alguém reclame, o clássico Dodge Charger Daytona de 1969 atingia cerca de 240 km/h (150 mph) em sua versão de rua. No entanto, em configurações de pista ou mesmo de rua para homologação para a NASCAR, ele também passava de 320 km/h (200 mph), sendo o primeiro carro daquela categoria a superar essa marca histórica. A diferença é que a F40 não era um carro de pista, e sim de rua (que podia e foi usada em pista), enquanto o Daytona era um carro de rua transformado para pista, e que por isso precisou de 503 unidades para ser homologado, e seu “gêmeo” Plymouth Superbird, mais cerca de 1950 carros.
Embora Maranello planejasse inicialmente uma tiragem limitada de apenas 400 unidades, a paixão avassaladora dos clientes fez a produção se estender até 1992. Ao todo, 1.311 exemplares deixaram a linha de montagem, tornando a icônica macchina vermelha o maior testamento mecânico de uma gente que entende, melhor do que ninguém, o verdadeiro significado de passione. Nós, os oriundi, inclusive!
No Brasil ficaram famosas a história da F40 trazida pela Fiat (que então era a dona da marca), que ficou conhecida de maneira nebulosa como “a F40 do Collor”, situação nunca devidamente clareada. E também a “F40 do Maradona”, que quando esteve à venda, passou uns dias por aqui.
AUTO&TÉCNICA resgatou de seus arquivos históricos essa preciosidade, com as fotos oficiais em preto e branco, agora compartilhada com você. Aproveite!
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